
Você, mãe, mulher, amante, amiga, profissional, companheira...
Você, que no brilho do olhar mantém a esperança... aquela sementinha mágica que sempre socorre, salva, abranda, emociona, ressuscita...
Você, do sexo forte, sempre chamado de sexo frágil.
Você, que aos primeiros traços de mulher, desvendou a suprema beleza do Ser.
Você, que desejou o príncipe encantado e que por mais resolvida que fosse, flagrou-se esperando por alguém tão especial...
Você, que tremeu no primeiro beijo e jurou pra si mesma que seria capaz de morrer por amor.
Você, que se entregou aos amores da sua vida, com a mesma garra e paixão com que se entrega a tudo que faz.
Você, que passou horas no espelho se fazendo bonita pra alguém que nem percebeu.
Você, que mudou o cabelo, emagreceu tantas vezes, comprou um vestido, trocou de perfume, caprichou na maquiagem só pra ouvir: “Você está bonita!” E, tantas vezes, não ouviu... Mas, fez tudo novamente...
Você, que torceu por ele, rezou por ele, sofreu pelas decepções dele... e ele nem percebeu tanto amor...
Você, que teve uma crise de dengo, chorou, pisou durou, fez uma cena... só porque precisava de um colo... e ele nem entendeu...
Você, que o deixou ir, mesmo querendo gritar pra ficar, só porque compreendeu o que ele não teve coragem de dizer.
Você, que se tornou mãe por amor e ao dar a vida, entregou a sua.
Você, que segurou aquela frágil mãozinha pela primeira vez... posso ver uma lágrima descendo no seu rosto...
Você, que abriu os braços para receber no seu abraço, aquele trôpego pequeno ser que começava a aprender a correr pra você.
Você, que beijou o primeiro dodói, enxugou a primeira lágrima, amparou na primeira queda, chorou com a primeira tristeza e gargalhou com a primeira vitória.
Você, que vestiu o primeiro uniforme, que engoliu em seco e disfarçou uma lágrima na frente daquele portão da escola.
Você, que deu meia-volta e desejou voltar correndo um segundo depois... e, em pensamento gritou: “mamãe está aqui, meu amor e logo volta pra lhe buscar...”
Você, que dividiu tanto do seu amor, entre seus amores e, mesmo assim, ouviu que não soube se dividir.
Você, que ao se tornar uma profissional, anulou mais que metade do seu próprio ser, mas seguiu em frente e fez valer.
Você, que prega ser independente, consciente e, seguramente, uma mulher moderna... mas, que, ao parar por um segundo, olha o porta-retrato sentindo um aperto tão forte no coração, duvidando, silenciosamente, que suportará sentir tantas saudades.
Você, que suporta, sim, suporta sempre. Com a fortaleza que esconde por trás desse olhar. Você que sempre sabe encontrar a saída.
Passa um batom, confere o olhar e... parte, mais uma vez, para a luta.
Luta contra o tempo, contra o espelho, contra seus próprios medos...
Você, que busca no passado uma dor antiga, uma lágrima de amor, um riso de realização e um suspiro de paixão para justificar sua teimosia em acreditar sempre.
Você, que consegue ser num único ser, tantos seres.
Você, que sabe tudo do amor.
Você, mulher! Que com esse jeitinho frágil, carrega uma força montanhosa dentro do coração e uma infinita disposição para amar eternamente.
Sandra Lúcia
Que lindo!!!! Falou tudo, mas infelizmente isso não é reconhecido pelos que nos cercam. Bem lá no fundo, isto está gravado.Como um carimbo. Exteriorizar todo esse sentimento se faz uma tremenda bobagem aos que ouvem seu sussurro. Não quero através deste meu desabafo, me impor diante de qualquer situação, mas sim mostrar que também quero receber, também quero ser reconhecida, também quero ser notada. Não pelo meus feitos, mas pela pessoa que sou. Sou não estou. Enfim, passamos a vida`à procura deste momento, por isso temos uma recarga de força. É simples assim.
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